MUNDIAL JUNIOR MASCULINO 2013 PARTE I: GANHANDO DESDE A LINHA DOS 6 METROS.

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Como muitos devem saber, durante as duas últimas semanas (14/07 a 28/07) aconteceu o campeonato mundial júnior masculino, na Bósnia e Herzegovina. Quando penso em mundial ou em olimpíada, no masculino, logo me vem à cabeça a imagem de um Pascal Hens, com seus 2,05, ou de um Bielecki, com seus 2,02, lançando de até 10 metros de distância e por cima de nossas defesas. Imagens como essas reforçam a ideia de que os arremessos de longa distância são decisivos em nível mundial de competição. Porém, neste mundial júnior as duas equipes finalistas mostraram que se pode obter sucesso competitivo sem que os arremessos de fora sejam a principal estratégia no jogo posicional.

Não há dúvida que é importante ter capacidade de lançar através da defesa oponente, seja por cima ou por baixo, seja de 9 metros ou de menor distância (nas estatísticas estes tipos de lançamento aparecem como “field shots”). Porém, o aproveitamento nesta situação de lançamento é menor do que em qualquer das outras com a bola em jogo: na linha de 6 metros, pelas extremidades e em contra-ataque. Deixando de lado os contra-ataques, usar o arremesso de fora como principal estratégia de ataque posicional poderia não ser a melhor alternativa. É claro que é mais simples criar situações de arremessos de fora do que criar uma situação de arremesso na linha de 6 metros, ou mesmo na ponta, mas a dificuldade adicional poderia ser compensada pelo melhor aproveitamento.

De fato, Suécia e Espanha, respectivamente campeã e vice do mundial júnior da Bósnia, aparentemente fizeram esta escolha por privilegiar a busca por situações de arremesso na linha de 6 metros em detrimento dos arremessos de fora, quando se trata do jogo posicional. A Suécia teve tentou 98 arremessos de fora contra 142 arremessos na linha de 6 metros, com aproveitamento de 48/98 (49%) contra 92/142 (65%); a Espanha tentou 91 vezes de fora contra 169 da linha de 6 metros, com aproveitamento de 44/91 (48%) contra 110/169 (65%).

Por coincidência (ou não…), França e Croácia, respectivamente terceiro e quarto lugares, fizeram um número maior de tentativas de arremessos de fora do que da linha de 6 metros. A França arremessou 170 vezes de fora contra 98 da linha de 6 metros, com aproveitamento de 80/170 (47%) contra 67/98 (68%); a Croácia arremessou 174 vezes de fora contra 84 da linha dos 6 metros, com aproveitamento de 81/174 (46%) contra 55/84 (65%).

Se considerarmos apenas os aproveitamentos nas duas situações, arremesso de fora/da linha de 6 metros, esses quatro times estão em situação parecida:

Suécia – 49%/65%

Espanha – 49%/65%

França – 47%/68%

Croácia – 46%/65%

Mas se combinarmos os aproveitamentos em ambas as situações, temos:

Suécia – 140/240 (58%)

Espanha – 154/260 (59%)

França – 147/268 (55%)

Croácia – 136/258 (52%)

A diferença no aproveitamento combinado (“field shot” + linha de 6m) entre duas equipes vai ser tanto mais significativa quanto maior for a importância relativa dessas situações de lançamento na composição total das ações ofensivas dessas mesmas equipes. Não vou tentar responder se é melhor a estratégia que privilegia os arremessos de fora ou a que privilegia os arremessos da linha de 6 metros, mas é significativo que os dois finalistas do mundial Junior da Bósnia claramente optem por criar situações de arremesso na linha dos 6 metros. Por outro lado, dos oito primeiros colocados neste mesmo mundial, além dos dois finalistas apenas o Egito realizou mais tentativas de arremesso na linha dos 6 metros do que de fora, e a desproporção nas quantidades não é tão grande que se possa ver uma opção estratégica pelos arremessos desde 6 metros (foram 143 tentativas de fora contra 153 da linha de 6 metros).

Em suma, quando outros fatores forem favoráveis, a escolha por basear o jogo posicional nos arremessos desde 6 metros aparece como plenamente viável.