MUNDIAL JÚNIOR MASCULINO 2013 PARTE II: O DESEMPENHO DO BRASIL.

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O Brasil conseguiu uma ótima colocação no mundial júnior da Bósnia, sexto lugar.  Teve ainda chances claras de passar às semifinais contra a Croácia, em um jogo cheio de erros de ambas as partes e que terminou 23 x 21 para os europeus. Obviamente, é um desempenho que se deve comemorar, e muito, ainda mais porque parece ser mais um sinal de uma subida consistente de patamar do handebol masculino brasileiro. O Brasil tem a sorte (e a competência da CBHb, diga-se) de poder contar com um técnico tão dedicado e sábio quanto Jordi Ribera, que comanda a evolução no masculino. Além disso, temos jovens jogadores muito promissores e dedicados, o que muito nos deve orgulhar.

            Dito isto, o desempenho da equipe, pelos jogos que assisti, talvez pudesse assim ser resumido: ótimo na defesa e um pouco limitado no ataque. Olhando as estatísticas, essa impressão parece se confirmar. Realmente me surpreendi com a aparente limitação de nossas opções de ataque, e comentarei as estatísticas mais para explicar minha surpresa do que para exercer uma crítica fundamentada (não sou especialista, sou apenas um apaixonado pelo handebol).

            No ataque, o Brasil ficou no grupo dos que arremessam mais de fora do que da linha dos 6 metros. Até aí tudo bem, é a opção padrão e já vimos no post anterior que a maioria das equipes no mundial fizeram esta mesma opção no jogo posicional. O Brasil arremessou 218 vezes de fora e 110 da linha de 6 metros. Em números absolutos, entre os oito primeiros colocados o Brasil foi o que mais arremessou de fora, sendo que a Croácia ficou em segundo nesse quesito com 174 arremessos. Se olharmos para a proporção entre arremessos de fora e da linha de 6 metros, o Brasil fez quase dois arremessos na primeira situação para cada um na segunda (218/110=1,98). Novamente a Croácia nos acompanha em seu desempenho com uma proporção de 2,1 (174/84); a França, por sua vez, ficou com uma proporção de 1,8 (170/98). Então, o Brasil foi dos que mais arremessou de fora e dos que tiveram maior desequilíbrio na proporção entre arremessos de fora e da linha dos 6 metros. Isso por si só não parece ser muito bom, mas também não parece ser algo tão desequilibrado.

            O problema começa aparecer se olharmos o aproveitamento: 40% (87/218) nos arremessos de fora e 53% (59/110) desde a linha dos 6 metros. A Suécia, por exemplo, teve aproveitamento de 49%/65%; a França, 47%/68%.

            Se olharmos os arremessos pelas extremidades, uma deficiência mais grave começa a aparecer. O time brasileiro arremessou 39 vezes das pontas; a Suécia 63, a Espanha 64, a França 63, a Holanda 76! A Croácia, novamente, vem nos fazer companhia, ou quase: arremessou apenas 20 vezes das pontas! Quanto ao aproveitamento, estivemos bem abaixo: 38%, enquanto a Suécia teve 57%, a Espanha 67%!, a França 51%, a Holanda 59%. A Croácia aqui nos deixou pra trás. Apesar de ter feito apenas 20 arremessos da ponta, teve aproveitamento de 70%.

            Em suma, o Brasil arremessou pouco desde as extremidades, e ainda teve um aproveitamento baixo. Quanto aos arremessos da linha de 6 metros, também o aproveitamento foi baixo, e talvez se possa dizer que nossa seleção deveria ter arremessado mais desde os 6 metros.

Talvez também se possa dizer que o Brasil fez poucas assistências, foram 40. Se compararmos com a Espanha, somente o craque Alex Dushjebaev fez 34 assistências!, de um total de 79. A Suécia, por sua vez, fez 121 assistências! Por outro lado, a França (45 assist.), a Croácia (35) e a Holanda (38) tiveram um desempenho parecido com o nosso.

            Enfim, de uma maneira geral, fica a impressão de que tivemos um baixo aproveitamento no ataque posicional e uma má distribuição das tentativas de arremessos entre linha de 6 metros/de fora/das extremidades. E mesmo assim chegamos a um histórico sexto lugar! Por quê? Arrisco a dizer que foi através de nossa excelente defesa.

Foto:CBHb