CHEGAMOS!

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Terminou no dia 01/02 o mundial masculino do Catar 2015, que teve a França campeã. O Brasil caiu nas oitavas e terminou na 16a posição, pouco abaixo da 13a posição conquistada no mundial da Espanha 2013. Apesar da ligeira queda na posição final em relação ao mundial de 2013, penso que houve progresso. A seleção mudou muito pouco a sua composição em relação ao mundial de 2013 (apenas três jogadores), de forma que pudemos observar tanto a evolução do time como um todo quanto a evolução individual de alguns jogadores.

O principal indício desse progresso é que, em todos os jogos, conseguimos chegar nos 5 minutos finais em condições de ganhar, mesmo contra adversários do calibre de Espanha, Eslovênia e Croácia. Por isso, a sensação é de que chegamos, estamos brigando por algo mais do que passar da primeira fase, e de maneira consistente, sem depender de nada mais do que nossa própria performance. Já havíamos vencido a Suécia em torneio amistoso, feito bons jogos contra Hungria e Suécia e vencido a Macedônia no pré-olímpico de 2012, quase vencido a Rússia nas oitavas do Mundial da Espanha; mas encaixar três jogos seguidos num mundial jogando de igual para igual contra dois adversários top 4 do handebol masculino (Espanha e Croácia) e um, digamos, top 8 (Eslovênia), isso foi inédito. Sem contar a vitória clara contra a Bielorrússia e o jogo contra o Catar, que, afinal, terminou vice-campeão.

É interessante notar que esses resultados no adulto, por coincidência, repetem resultados semelhantes alcançados por nossas seleções de base nos últimos mundiais da categoria. Eliminamos a favorita Eslovênia nas oitavas-de-final do Mundial Júnior 2013; neste mesmo Mundial, perdemos para a Croácia nas quartas em jogo apertadíssimo; no Mundial Juvenil 2013, na primeira fase, vencemos a Espanha e perdemos para a Croácia tendo a bola pra empatar no último segundo de jogo. Então, dado que aconteceu no juvenil, júnior e adulto, a sensação é de que essa mudança de patamar é sólida, consistente e poderá ser duradoura se o trabalho continuar no mesmo diapasão.

Sobre o desempenho da equipe, uma coisa me chamou bastante a atenção: nossa rotação. Nós tivemos bastante rotação durante os jogos, apenas o Felipe Borges teve mais de 5 horas de jogo acumulado (aliás, nossa sincera admiração pelo desempenho e entrega de Borges. Depois de lutar contra várias contusões na última temporada, encarou o desafio de não ter reserva durante o mundial. Isso foi possível também graças ao excelente desempenho de Diogo Hubner no “bico” da defesa, dando minutos de descanso para o Borges nessa tarefa, ainda que continuasse em quadra), nenhum outro jogador de linha chegou a acumular 3:30 horas de jogo. Um sinal claro do sucesso dessa rotação está no próprio desempenho contra a Croácia, que fez os titulares Duvnjac (48:04 minutos de jogo), Vori (50:40), Cupic (60:00), Kopljar (48:03) e Strlek (58:53) suarem até a última gota pra vencerem o jogo, enquanto que no Brasil somente o Borges (48:30) e o Valadão (40:12) tiveram mais de 40 minutos de partida.

Não digo que esse tipo de rotação seja um sucesso por si só, mas o fato de que nossa seleção pode fazê-la sem perda de qualidade é uma demonstração clara de que somos um time completo, que não depende de nenhum jogador em especial. Isso é mais significativo ainda se observarmos que a maioria das trocas por posição que temos na seleção acontece entre jogadores de características diferentes, o que faz com que as trocas não só dêem descanso aos que saem, mas também que resultem em variantes no jogo coletivo. Nesse sentido, a rotação parece ser mesmo um ponto forte do time brasileiro.

Por outro lado, um ponto negativo ainda parece ser o aproveitamento no ataque. O jogo brasileiro flui, criamos oportunidades de arremesso, mas concluímos mal. Em todos os jogos que o Brasil perdeu ele criou mais oportunidades de arremesso (e arremessou mais, claro) do que seus adversários, mas concluiu pior.

De qualquer forma, acho que o desempenho da seleção brasileira no Mundial 2015 deu aos aficionados por handebol muitas razões para se alegrarem e, por que não, para dizer: chegamos!