A HISTÓRIA INCOMUM DE IDA ODEN

Ela tem 27 anos, é titular na seleção da Suécia, com a qual foi medalha de bronze no último europeu de seleções (2014), titular na equipe do Sävehof, com a qual disputa Champions League 2014/2015, sendo atualmente a sexta maior artilheira do campeonato, mesmo com sua equipe já fora das quartas de final. Na próxima temporada ela vai…deixar de jogar handebol!

Seu nome é Ida Oden, é aquela lateral direita destra a quem já chamei no twitter de “Deonise do Sävehof”, por ser quase tão craque quanto a Deonise original.

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Ida Oden em ação no Euro 2014

 

Desde o ano passado, durante o EURO 2014, ela vinha anunciando que pensava em parar de jogar, e agora confirma a decisão (http://www.svt.se/sport/svt-avslojar-handbollsstjarnan-ida-oden-27-lagger-av). Ida Oden é contadora e tem uma empresa que atua no mercado financeiro na Suécia. Sua explicação para a aposentadoria precoce é o desejo de se dedicar à sua firma e ficar livre dos sacrifícios que a vida de atleta profissional impõe àqueles que seguem este caminho.

Há algum tempo atrás, com apenas 25 anos e titular absoluto da seleção sueca, o jovem lateral esquerdo Kim Ekdahl Du Rietz decidiu abandonar o time nacional, mas continua jogando profissionalmente em alto nível no Rhein Neckar Löwen. Não é o caso de Ida Oden, ela vai parar completamente, aos 27 anos de idade.

Não sei se essa história, e também a de Du Rietz, diz mais sobre o jeito de ser dos suecos ou sobre o atleta profissional de handebol. No handebol titulares de seleções escolhem jogar em segundas divisões de ligas nacionais (Kristina Kristiansen, Mette Gravholt, Marta Mangue…), fazem faculdade enquanto são profissionais do esporte (Joan Cañellas, o próprio Du Rietz e incontáveis outros, inclusive no Brasil) e decidem mudar de vida, incentivados por inquietudes pessoais. Parece que são mais próximos de nós, admiradores do esporte. Gosto disso no handebol, é uma entre as várias lições de vida que esse esporte nos dá.

Mas o caso de Ida Oden mesmo assim é surpreendente, inquietante até, porque ela vai parar por completo estando no auge, ou ainda chegando ao auge, eu diria. Além disso, a seleção de seu país está também atingindo um ápice coletivo, fruto da coincidência do ápice individual de várias jogadoras, que a torna forte concorrente ao título do mundial da Dinamarca 2015 e das Olimpíadas do Rio 2016. E mesmo assim a “Deonise do Sävehof” deixa tudo para trás por estar se sentindo, de alguma forma, incompleta.

Desconfio que por trás da história de Ida Oden haja mais uma lição de vida, seja ela dada por uma jogadora de handebol ou por uma sueca, mas que ainda não consigo entender.

Em todo caso, boa sorte para ela.